Após alguns meses do seu batismo, um jovem cristão vivia em condições extremamente difíceis. Ele morava em um barraco de madeira improvisado em uma comunidade carente, dividindo o espaço com seus pais e mais três irmãos. O barraco ficava à beira de um córrego que servia como recipiente de esgoto da região. A estrutura estava tão precária e torta que corria o sério risco de desabar com a primeira chuva forte.
Certa manhã, esse jovem recebeu a visita de três irmãos da congregação local do qual ele fazia parte. Aqueles homens ficaram chocados com a situação. Sem dizer muita coisa, eles foram até um depósito de materiais de construção, compraram o que era necessário e passaram o sábado inteiro trabalhando duro debaixo de sol. No final daquele dia, o barraco não estava mais torto e havia sido movido para uma distância segura do córrego.
Hoje, três décadas depois, esse jovem ainda é meu irmão em Cristo. Ele conta que, toda vez que se lembra daquele sábado, as lágrimas escorrem pelo seu rosto.
Alguns meses antes daquele episódio, ele já havia sido marcado pelo amor de Cristo quando aqueles mesmos irmãos lhe ensinaram o Evangelho e mostraram o caminho da salvação. Mas naquele sábado de sol, eles deixaram as marcas do amor prático de Jesus Cristo gravadas na história daquela família.
1. A Doutrina Certa Exige o Amor Prático
No Evangelho de João, Jesus estabelece a marca definitiva pela qual os Seus discípulos seriam reconhecidos no mundo:
“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.”
— João 13:34-35
O nosso objetivo com esta reflexão é fazer uma autoavaliação brutalmente honesta: De que forma estamos marcando as pessoas com o amor de Cristo?
Nós podemos ter a doutrina mais correta do mundo, a teologia mais precisa, o ensino exato sobre o pecado e a graça. Contudo, se não transbordarmos o amor prático de Jesus para com o próximo, a nosso ensino é morto. Fomos marcados na cruz pelo sangue de Cristo, que nos resgatou e perdoou. A pergunta é: temos deixado as marcas de Cristo uns nos outros?
Quando as pessoas ao seu redor passam por uma crise e precisam de conselho ou de Deus, é você que elas procuram?
2. Como Deixar as Marcas de Cristo no Mundo?
A vida cristã autêntica se manifesta nas dificuldades do dia a dia. Vejamos algumas áreas onde você é chamado a ser o instrumento de Deus para marcar pessoas:
- A Marca da Generosidade e Compaixão: A verdadeira generosidade é provada quando nos deparamos com alguém que sofre. Jesus, ao ver os necessitados, ficava profundamente compadecido (Marcos 1:40-41; 6:34). Quantos ao seu lado, no seu círculo íntimo de amizades ou na sua igreja local, estão sofrendo em silêncio? O amor prático não apenas ora, mas age para amenizar a dor.
- A Marca do Cuidado na Vulnerabilidade: Você já se sentiu cuidado por um irmão em Cristo no seu pior momento? Paulo nos chama a suportar as fraquezas dos mais fracos e a acolher uns aos outros (Romanos 15:1-7).
- A Marca no Casamento: O maior campo missionário de um cristão é a sua própria casa. Um marido e uma esposa podem facilitar a caminhada espiritual um do outro. Calar-se no meio de uma discussão para que ela não tome proporções catastróficas, cuidar com carinho na doença, ou preparar uma refeição com amor. O seu cônjuge vê Cristo em você?
- A Marca do Evangelismo Paciente: O amor de uma pessoa pelo Evangelho depende muito de como Jesus é apresentado a ela. “Pescar homens” exige paciência (1 Coríntios 9:22-23). Exige não jogar as verdades de forma arrogante no rosto das pessoas, saber receber um “não” sem se ressentir, e jamais desistir daqueles que estão se aproximando da fé.
- A Marca do Serviço Cristão: As pessoas precisam sair da sua presença melhores do que quando entraram (Romanos 12:10). Tantas pessoas marcam a nossa vida ensinando na escola bíblica, liderando pequenos grupos, ou cuidando das crianças. O serviço anônimo na igreja tem reflexos eternos.
Conclusão: A Marca Esquecida da Gratidão
Nós somos rápidos em notar quando as pessoas falham conosco, mas será que somos gratos o suficiente para percebermos as marcas de amor que elas têm deixado em nós?
Se você não cultivar a marca da gratidão (1 Tessalonicenses 5:18), você será amado, servido e abençoado pela Igreja de Cristo, mas passará a vida inteira cego e amargurado, sem nunca perceber o que fizeram por você.
Tudo o que fizermos nesta terra tem um efeito limitado no tempo. Mas a marca do Evangelho aplicada com amor prático terá reflexos que ecoarão por toda a eternidade. Olhe para as suas mãos hoje: elas estão prontas para marcar alguém com o amor de Jesus?
Escrito por: Diego Tolotto
A Caridade e Seus Frutos — Jonathan Edwards
Neste clássico absoluto da literatura reformada, o puritano Jonathan Edwards expõe 1 Coríntios 13 de forma magistral. Ele demonstra que todos os dons, conhecimento teológico e zelo religioso são absolutamente inúteis e vazios se não forem coroados pelo amor prático e genuíno ao próximo.
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