O Deus da Compaixão: Como Jesus Entra no Nosso Sofrimento para Nos Resgatar

O Deus da Compaixão: Como Jesus Entra no Nosso Sofrimento para Nos Resgatar

Você já parou para pensar no significado profundo da palavra compaixão?

A palavra compaixão vem da união de dois termos: com (junto) e paixão (sofrimento). Significa, em sua essência, estar junto no sofrimento de alguém. Não é apenas olhar de longe com pena ou simpatizar-se à distância; é entrar na dor do outro com o objetivo real de estender a mão e tirá-lo daquela situação.

Ao apresentar a história de Jesus no capítulo 1 do seu Evangelho, Mateus resgata a profecia do profeta Isaías e apresenta um título libertador para o Messias: Emanuel, que significa Deus conosco (Mateus 1:23).

Emanuel não era o nome próprio de batismo de Jesus, mas a descrição exata da Sua missão. Se compaixão é estar junto de quem sofre, e Jesus é o Deus conosco, a conclusão é gloriosa: Deus veio ao mundo para sofrer conosco e, na cruz, sofrer por nós.

No capítulo 9 de Mateus, vemos esse Deus de compaixão caminhando entre as pessoas e transformando vidas despedaçadas pela dor. Afinal, neste mundo, quem não está sofrendo? É apenas uma questão de grau e de intensidade.

1. O Chamado a Mateus: A Graça que Alcança o Excluído

“Saindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: ‘Siga-me’. Mateus levantou-se e o seguiu.”

— Mateus 9:9

Mateus era um cobrador de impostos. No contexto histórico da Judeia do Século I, sob o domínio do Império Romano, os publicanos eram considerados os homens mais desprezíveis da sociedade. Eles eram judeus que trabalhavam para o governo ocupante de Roma, cobrando taxas abusivas dos seus próprios irmãos de pátria para enriquecer.

Por causa disso, Mateus não tinha amigos sinceros. Ele tinha a reputação de corrupto e explorador. Religiosamente falando, ele era considerado um homem “sujo”. Nem ele e nem a sua família podiam pisar na sinagoga ou no Templo.

Imagine a cena: Jesus caminhava com uma multidão. Alguns O seguiam por desespero, outros por curiosidade, e os líderes religiosos (os fariseus) fofocavam e avaliavam cada passo Seu. De repente, Jesus para em frente à mesa de impostos de Mateus. Muitos na multidão certamente pensaram: “Lá está o corrupto! Agora Jesus vai dar um sermão duro e expor esse pecador!”

Mas Jesus olha nos olhos de Mateus e diz simplesmente: “Siga-me!”

Jesus não foi até Mateus para humilhá-lo; Ele foi para resgatá-lo. A vergonha das escolhas erradas havia separado Mateus da presença de Deus. Como Mateus não podia ir ao Templo, o Templo veio até Mateus!

Sem pedir explicações ou garantias, Mateus largou a sua coletoria imediatamente e O seguiu. Em seguida, Mateus abriu a sua casa e ofereceu um banquete para Jesus. Como ele não tinha amigos “de bem”, a mesa ficou cheia de outros cobradores de impostos e pecadores.

Quando os fariseus criticaram Jesus por comer com aquela gente “contaminada”, o Mestre respondeu com uma das frases mais belas das Escrituras:

“Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. […] Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores.”

— Mateus 9:12-13

2. A Mulher com o Fluxo de Sangue: O Toque da Fé e a Restauração

Logo depois, enquanto Jesus caminhava para a casa de um chefe da sinagoga chamado Jairo — cuja filha de 12 anos estava à beira da morte (Mateus 9:18) —, uma mulher desesperada se aproximou no meio da multidão.

Aquela mulher sofria com uma hemorragia contínua há 12 anos. Segundo a Lei Mosaica (Levítico 15), essa condição a tornava cerimonialmente impura contínua e ininterruptamente. Por 12 anos, ela não pôde ir ao Templo, não pôde abraçar a família, perdeu os seus bens com médicos e foi rejeitada pela comunidade.

Ela estava fisicamente esgotada, financeiramente falida e emocionalmente destruída.

Sabendo que seria impedida se tentasse falar abertamente com um Mestre religioso, ela pensou: “Se eu tão somente tocar na borda do seu manto, serei curada” (Mateus 9:21). Ela se esgueirou pela multidão e tocou no Mestre. Imediatamente, a hemorragia estancou!

Jesus, sentindo que Dele havia saído poder, parou a multidão apertada e perguntou: “Quem me tocou?”. Assustada, achando que seria repreendida por ter “contaminado” o Mestre, a mulher se prostrou a Seus pés e confessou a verdade.

Mas Jesus não a envergonhou. Com olhar de profundo amor, Ele declarou:

“Coragem, filha! A sua fé a curou.”

— Mateus 9:22

No grego bíblico, a palavra frequentemente usada para descrever a compaixão de Jesus é Splanchnizomai (σплаγχνίζομαι). Essa palavra não refere-se a um sentimento superficial; ela descreve uma emoção visceral, uma dor que mexe no fundo das entranhas. O Deus de compaixão sentiu a dor daquela mulher e devolveu a ela a saúde, a dignidade e a aceitação!

3. A Filha de Jairo: O Poder de Ressuscitar o que Estava Morto

Enquanto Jesus curava a mulher, chegaram mensageiros da casa de Jairo dizendo: “A sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre.” Imagine o desespero e a dor daquele pai.

Jesus, porém, olhou para Jairo e disse para ele não ter medo, apenas crer. Ao chegar à casa, rodeada de pessoas chorando e zombando, Jesus colocou todos para fora, entrou no quarto da menina, tomou-a pela mão e disse: “Menina, levante-se!” (Marcos 5:41). No mesmo instante, a garota se levantou e começou a andar!

Mais do que demonstrar compaixão àquela família, Jesus deixou uma lição ilustrativa para toda a humanidade: Ele veio estender a Sua mão poderosa e nos tirar da morte espiritual!

Três Lições do Deus de Compaixão para a Sua Vida Hoje

Ao olharmos para essas três histórias em Mateus 9, o Senhor nos deixa três convites práticos:

1. Suas escolhas erradas não anulam o “Siga-me” de Deus

Talvez você tenha tomado decisões na vida que lhe trouxeram vergonha, culpa e isolamento. Pode ser que você se sinta inadequado até mesmo para entrar em um prédio de igreja, achando que todos vão julgá-lo. Olhe para Mateus! O Deus conosco não veio para condená-lo, mas para dizer: “Deixe o passado para trás e siga-me!”

2. Nada deste mundo pode preencher o vazio da sua alma

A mulher com a hemorragia passou 12 anos tentando resolver o seu problema através dos seus próprios recursos e só piorou. Nós tentamos curar a nossa dor espiritual buscando status, dinheiro, relacionamentos, sexo ou prazeres passageiros. Nada disso funciona. Somente o toque no Mestre pode trazer a cura real e o alívio que a sua alma procura.

3. Jesus pode ressuscitar o que parece impossível

Muitas pessoas caminham por aí vivas fisicamente, mas completamente mortas por dentro — sem esperança, sem alegria e presas em vícios e ressentimentos. Talvez você pense: “É impossível Deus me perdoar ou me tirar desse buraco!”. Os vizinhos de Jairo também achavam impossível aquela menina voltar à vida. Mas para o Deus da Compaixão, não há caso perdido.

Como bem escreveu o autor Richard Sibbes:

“Há mais misericórdia em Cristo do que pecado em nós.”

Não importa o tamanho da sua dor, da sua vergonha ou do seu esgotamento hoje: o Emanuel está ao seu lado. Aproxime-se Dele com fé e experimente o abraço do Deus da Compaixão!

Escrito por: Diego Tolotto

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