Você já recomendou alguém para uma vaga de emprego ou já teve a oportunidade de representar um grupo de pessoas?
Acredito que muitos de nós já passamos por uma dessas experiências. Quando você indica alguém para um trabalho, precisa falar sobre as qualidades e o caráter dessa pessoa. Da mesma forma, se você já precisou representar sua classe na escola, na faculdade ou a sua equipe no trabalho, sabe que a conduta de quem representa faz toda a diferença na mensagem que é entregue.
Agora, pare e pense: como você se sente ao saber que você, a sua vida, as suas palavras, as suas atitudes e até mesmo aquilo que você escolhe postar nas redes sociais são a carta de recomendação de Cristo para o mundo?
O Evangelho Escrito no Coração
No primeiro século, o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto sobre a verdadeira credencial do seu ministério:
“Vocês mesmos são a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos. Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos.”
— 2 Coríntios 3:2-3
Nós também somos o resultado do ministério dos apóstolos. O mesmo Evangelho pregado por eles no primeiro século chegou até cada um de nós. Portanto, somos chamados a ser a carta viva de Cristo para a sociedade. Essa carta não foi gravada em rituais externos, mas escrita em nossos corações através do Espírito Santo de Deus.
Paulo continua nos versículos 4 a 6 lembrando que essa capacitação vem de Deus, e não por nossos próprios méritos. Fomos habilitados por Ele para representar a Nova Aliança — uma Aliança do Espírito.
A pergunta inevitável que precisamos nos fazer hoje é: quem nós estamos buscando representar?
A Quem Estamos Representando nas Redes Sociais e no Dia a Dia?
Essa lição pode e deve ser aplicada em todos os aspectos da nossa vida: em nossos lares, no trabalho, na escola, no reino de Deus e, sem dúvida nenhuma, em uma ferramenta que tomou conta do mundo atual: as redes sociais.
No atual cenário do nosso país e na época em que vivemos, a política tem sido um dos temas principais em rodas de conversa e nas redes digitais. Vemos pessoas desesperadas com o que pode ocorrer com o país se o “Político A” ou o “Político B” for eleito. Ver esse tipo de desespero vindo daqueles que não estão em Cristo é perfeitamente compreensível, pois a esperança deles está limitada a este mundo.
Mas e quanto a nós, meu irmão e minha irmã? Será que estamos entendendo direito para o que fomos chamados? Qual é a nossa verdadeira posição diante de tudo isso?
Infelizmente, esse cenário de idolatria e desespero político tem me feito lembrar da nação de Israel no Antigo Testamento. E sabe quem é a nação de Israel nessa analogia? A própria Igreja de Cristo.
“Quando, porém, disseram: ‘Dá-nos um rei para que nos governe’, isso desagradou a Samuel; por isso ele orou ao Senhor. E o Senhor disse a Samuel: ‘Atenda a tudo o que o povo está pedindo; não foi a você que rejeitaram: foi a mim que rejeitaram como rei sobre eles’.”
— 1 Samuel 8:6-7
Muitas vezes, estamos trocando o nosso Rei pela esperança em homens que supostamente resolveriam os problemas do nosso país. Vemos cristãos entrando em discussões agressivas, ofendendo a outros, atacando políticos e eleitores, chegando ao ponto absurdo de chamar quem vota diferente de “não cristão”.
Você, cristão, precisa entender a sua posição, quem é o seu Rei e qual é a sua missão.
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Quando fomos batizados e entregamos nossa vida a Jesus, fomos oficialmente transferidos de domínio espiritual:
“Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado.”
— Colossenses 1:13 (veja também Colossenses 2:12)
Recebemos um Rei chamado Jesus Cristo. É Ele quem reina em nossas vidas, é o Seu modelo de vida que devemos nos esforçar para seguir e é Ele quem nos dá o nosso objetivo supremo.
O apóstolo Paulo complementa:
“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Em nome de Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.”
— 2 Coríntios 5:20
Deus escolheu fazer o Seu apelo de salvação ao mundo por meio de nós. De que modo temos representado isso? Será que usamos o mesmo afinco e a mesma paixão que gastamos com debates políticos para fazer o apelo de reconciliação com Deus?
A nossa grande preocupação tem sido a de que, por meio do “Político A” ou “B”, mais pecado entrará no mundo? Irmãos, o mundo já está afundado no pecado desde as primeiras gerações! E só existe um meio de retirar o pecado do mundo: o Cordeiro de Deus (João 1:29; Romanos 5:12, 17, 19).
Você quer um mundo melhor? Leve Cristo a ele! Seja o embaixador do Evangelho, seja luz na escuridão. Use suas redes sociais e cada oportunidade que tiver para falar de Cristo. A própria política é uma oportunidade para apontar para o nosso verdadeiro Rei — agindo de forma espiritual, e não carnal.
O Contexto de 1 Pedro: Chamados à Santidade Mesmo Quando Tudo Dá Errado
Para compreender a profundidade do nosso chamado como cidadãos do céu, precisamos olhar para a Primeira Carta de Pedro.
Quando o apóstolo Pedro escreveu essa carta, os cristãos estavam enfrentando um período de intensa dor e dispersão geográfica (a Diáspora). Eles haviam abandonado ou perdido seus lares e estavam sendo terrivelmente perseguidos sob o império de Nero — um governante cruel, ímpio e corrupto.
Mesmo sob esse cenário político e social devastador, Pedro não convoca os cristãos à revolta ou ao desespero político. O chamado divino era para a santidade e obediência a Jesus Cristo:
“Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelas paixões que vocês tinham quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem.”
— 1 Pedro 1:14-15
Pedro lembra aos cristãos quem eles realmente são:
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
— 1 Pedro 2:9-10
Não pertencemos a este mundo; estamos nele apenas de passagem. Pedro nos exorta a viver como peregrinos e estrangeiros:
“Amados, insisto com vocês, como a peregrinos e estrangeiros, que se abstenham dos desejos da carne, que guerreiam contra a alma. Vivam de tal maneira entre os pagãos que, mesmo que eles os acusem de praticar o mal, observem as suas boas obras e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção. Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens […]. Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.”
— 1 Pedro 2:11-14, 17
Preste atenção nisso: quando Pedro escreveu “honrem o rei”, o “rei” era o imperador Nero, que perseguia a Igreja! Isso mostra que o nosso dever de conduta e respeito independe de quem esteja no poder humano, pois a nossa submissão suprema é a Deus.
Conclusão
Somos peregrinos neste mundo. Devemos cumprir o nosso dever como cidadãos exercendo o nosso voto com responsabilidade, respeitando as autoridades eleitas e nos esforçando para levar Cristo ao mundo.
É esse o Reino que representamos. É debaixo das leis de Deus que vivemos. É a Deus que devemos temer e são os políticos eleitos que devemos honrar, independente de quem sejam ou de nossas preferências pessoais.
Fuja de conversas tolas e discussões inútil nas redes sociais. Aproveite cada oportunidade para apresentar Jesus ao mundo, pois somente Ele pode tirar o pecado do mundo e transformar vidas para a eternidade!
Escrito por: Diego Tolotto
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